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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Terras sem Sombra desembarca em Sines



No concerto que vai ter lugar no Centro das Artes de Sines, a 16 de Junho, sábado, às 21h30, o grande intérprete português apresenta um repertório de extraordinária beleza, com obras de Bach, Schumann e Liszt. A peça central, Estudos Sinfónicos, de Robert Schumann, uma homenagem a Chopin, coloca em destaque duas personalidades artísticas opostas, uma extrovertida e exuberante, outra calma e medidativa; sugere, assim, dois rumos que marcarão o Romantismo no panorama musical europeu. O festival alentejano associa-se, deste modo, ao 150.º aniversário de José Viana da Mota (1868-1948), figura fundamental da música em Portugal e um dos grandes pianistas do seu tempo, de que Artur Pizarro é o mais insigne herdeiro artístico. Se a efeméride está a passar quase despercebida no país, o Terras sem Sombra quis evocá-la através de um acto simbólico, mas cheio de significado: Viana da Mota dedicou grande atenção ao Alentejo e a sua memória é cara à região.

Na Rota do Gama: testemunhos do Almirante em Sines

Vasco da Gama nasceu, em 1469, na torre de menagem do castelo de Sines. Trocou a carreira eclesiástica a que a família o destinara para servir o rei, tornando-se um elemento destacado das ordens de Santiago e Cristo. Foi o militar escolhido por D. Manuel I para comandar a primeira expedição à Índia (1497-1499), aonde voltaria em 1502 e 1524. Faleceu em Cochim, em 1524. Sines, com as suas tradições marítimas, constitui uma referência na vida do navegante que, recém-chegado do Oriente, em 1500, quis ser seu conde e senhor. Esta actividade revisita os principais lugares do roteiro sineense do Gama: a fortaleza medieval e a matriz, os Penedos da Índia, o paço (cuja construção foi embargada por D. Manuel e levou à expulsão do almirante da terra natal), a igreja de Nossa Senhora das Salas (reerguida por ordem de D. Vasco) e outros locais a que tinha apego. O percurso inicia-se na tarde de 16, às 15h00, e é guiado pelo arquitecto Ricardo Pereira, pelo historiador António Martins Quaresma e pelo historiador de arte José António Falcão, investigadores com profundo conhecimento do património local.

Com engenho e arte: a biodiversidade no porto de Sines

A manhã de domingo, dia 17, é dedicada pelo festival, a partir das 10h00, ao porto de Sines. De construção recente (1978), este é uma das infra-estruturas portuárias mais avançadas da Europa e apresenta condições naturais ímpares na costa portuguesa para acolher todo o tipo de navios. Está dotado de modernos terminais especializados e é a principal porta de abastecimento energético do País. A salvaguarda da biodiversidade dentro do perímetro portuário constitui o fio condutor desta visita, que também revela aspectos pouco conhecidos do rico património natural em torno do Cabo de Sines. O percurso é guiado por João Castro, Teresa Cruz, Teresa Silva e Susana Celestino (biólogos) e por Adelaide Bernardino (engenheira do ambiente).

As actividades do Terras sem Sombra são de acesso livre e resultam da parceria da Associação Pedra Angular com a Câmara Municipal de Sines e a Administração dos Portos de Sines e do Algarve.


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Terras sem Sombra - Visita a uma vila fantasma e aprender Barranquenho no Parque de Noudar


Visita a uma vila fantasma e aprender Barranquenho no Parque de Noudar


Barrancos abre as suas portas, a 2 e 3 de Junho, para receber, pela primeira vez, o festival clássico do Alentejo. Em palco, um dos mais destacados agrupamentos portugueses de música antiga – o Ludovice Ensemble, que propõe uma viagem, ao longo de vários séculos, até às míticas fronteiras do Oriente. Este surpreendente programa artístico, jamais ouvido entre nós, é complementado por visitas ao território de Noudar.

No palco do cineteatro, no sábado, 2 de Junho, às 21h30, o agrupamento português de música antiga o Ludovice Ensemble, que tem triunfado em grandes festivais e teatros do mundo sob a direcção de Fernando Miguel Jalôto, mergulha em pleno nos repertórios dos sécs. XVI-XVIII para apresentar, em Barrancos, uma perspectiva da antiga música húngara, desde os seus registos mais antigos, até aos grandes mestres de Setecentos, como o príncipe Pál Esterházy. Este tributo artístico à Hungria, o país convidado do Terras sem Sombra no presente ano, é completado por uma panorâmica da música europeia nesse tempo, com obras de grandes compositores contemporâneos – Rameau, Marais, Haydn, Fux, Telemann – em que transparecem as influências húngaras, sob vestes egípcias, persas ou turcas.

Entre Ardila e Múrtega: a antiga vila de Noudar

No intuito de atrair novos moradores à localidade de Noudar, o rei D. Dinis, em 1305, fê-la couto de homiziados – o primeiro do país. A vila cresceria à sombra de um extenso recinto amuralhado, em que domina a emblemática torre de menagem, rodeada pelo alcácer, tendo perto a igreja matriz de Santa Maria de Entre-Ambas-as-Águas. Contudo, o problema demográfico nunca foi resolvido e acabou por ditar o abandono de Noudar.
Hoje, dominando uma paisagem de extraordinária beleza, a vila-fantasma de Noudar é um local silencioso, onde já não vive ninguém, mas os seus muros contam muitas histórias. A tarde do dia 2 de Junho, a partir das 15h00, vai ser dedicada ao seu passado e presente visando a redescoberta do castelo de Noudar, sentinela no coração da Andaluzia, e da povoação (outrora, sede de concelho) existente dentro dos seus muros, abandonada no séc. XIX. O guia é um grande conhecedor dos mistérios desta velha localidade, o arqueólogo Miguel Rego.

A Herdade da Coitadinha e o Parque de Natureza de Noudar

O Parque de Natureza de Noudar localiza-se na Herdade da Coitadinha, entre os cursos dos rios Ardila e Múrtega, que correm no meio de cumes e colinas. Montado, pastagens, olival tradicional e pastoreio (ou não estivéssemos no reino do porco preto) são traços comuns às herdades da região. Na Coitadinha, porém, um relevo mais abrupto e mais rochoso protege enclaves de vegetação em que subsistem azinhais e bosques densos, onde a luz penetra com dificuldade. Redutos únicos numa paisagem muito alterada, em outros séculos, pelo homem, têm agora como protagonista a vida selvagem, o que os torna um notável santuário da biodiversidade.
Pelas 10 horas de Domingo, dia 3 de Junho, sob a orientação de Diogo Nascimento, Nuno Santos e José Pedro Salema (engenheiros florestais), João Xavier Matos (geólogo) e José Perdigão (técnico de arqueologia) vamos descobrir este património natural único e colaborar na sua identificação e defesa e ainda haverá tempo para conhecer um pouco da identidade e da língua barranquenhas.

Estas actividades, organizadas pela Pedra Angular, em parceria com o Município de Barrancos e a EDIA, são todas de acesso livre. Trata-se de uma ocasião única para perscrutar uma das regiões mais belas e singulares do país.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Terras sem Sombra - Estreia em Portugal de Clarines de Batalla em Elvas



Trombetas na antiga Catedral, visita ao Forte da Graça e Agricultura de conservação

O Terras sem Sombra desloca-se pela primeira vez ao Alto Alentejo para, em tom militar, abrir as trincheiras do património e biodiversidade do concelho de Elvas a 19 e 20 de Maio.


Estreia em Portugal do ensemble Clarines de Batalla

O epicentro desta viagem até à raia será a igreja de N.ª Sr.ª da Assunção, antiga Sé da cidade, onde terá lugar, às 21h30 de sábado, 19 de Maio, o concerto “Guerra e Paz: A Trombeta Histórica na Música Barroca Europeia”. Em palco, um ensemble espanhol de referência em música antiga, Clarines de Batalla, que tem vindo a triunfar em teatros e festivais do país vizinho. 

Este espectáculo, em estreia em Portugal, dá a conhecer um valioso repertório de obras religiosas, mas também militares e de corte, dos sécs. XVII e XVIII, com enfâse para o Barroco, escritas por grandes músicos europeus para trombetas históricas, órgão e percussões e recém-descobertas em manuscritos da Biblioteca Nacional de Madrid. Os mentores do grupo de Clarines de Batalla, o trombetista Vicente Alcaide, o organista Abraham Martínez e o percussionista Álvaro Garrido, são figuras de referencia no panorama musical peninsular e internacional, tendo gravado recentemente um disco, dedicado à trombeta histórica, que se tornou best seller.


À descoberta dos tesouros do património de Elvas

A tarde do dia 19 vai ser consagrada pelo Terras sem Sombra à visita do Forte da Graça, “jóia das coroa” do património de Elvas, sob a orientação de especialistas, que revelarão o génio militar e a excelência artística desta magnífica fortaleza, a mais destacada do género, em Portugal, na segunda metade do século XVIII, e alvo da peregrinação de investigadores e amadores de arquitectura castrense de todo o mundo. O ponto de encontro será no próprio monumento, às 15h00.

Em parceria com a Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo, no Domingo, dia 20, a partir das 10h00, o Festival, promove uma acção de voluntariado para a salvaguarda da natureza. O alvo será um conjunto de práticas que permitem o maneio do solo agrícola com a menor alteração possível da sua composição, estrutura e biodiversidade natural. Estas técnicas, utilizadas na agricultura de conservação, apresentam efeitos muito positivos no solo, contribuindo para o aumento do teor de matéria orgânica. A ação decorre sob a orientação de Gabriela Cruz, engenheira agrónoma.

As iniciativas do Terras sem Sombra são de acesso livre organizadas pela Associação Pedra Angular.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Terras sem Sombra - O Cante da Ilha da Liberdade, a rota de Soror Mariana e observação de ave


O Cante da Ilha da Liberdade, a rota de Soror Mariana e observação de aves



O Baixo Alentejo volta a ganhar protagonismo enquanto destino privilegiado de património, música e biodiversidade. Os dias 5 e 6 de Maio são dedicados pelo Terras sem Sombra a Beja, tendo como pano de fundo as Cartas Portuguesas, de Soror Alcoforado.

Segredos das vozes corsas

O etnomusicólogo Michel Giacometti, nascido na Córsega, foi quem primeiro aprofundou as ligações entre o Cante e a Polifonia das zonas rurais dessa ilha, que constitui, decerto, o “parente mais próximo” das modas do Alentejo. 

Invocando essa herança partilhada, o mais destacado ensemble corso da actualidade, Barbara Furtuna – Voix Corses apresenta, na igreja do convento de S. Francisco (Pousada), às 21h30, o concerto O Canto na Ilha da Liberdade. Jean-Philippe Guissani, Maxime Merlandi, Jean-Pierre Marchetti e André Dominici escolheram um programa, com composições religiosas e profanas, bem representativo da polifonia da Córsega, desde o século XVIII aos dias de hoje, não esquecendo as afinidades com o Cante. Trata-se de uma ocasião muito propícia para conhecer uma tradição musical de que se fala muito, mas que se escuta pouco entre nós.

O espectáculo é consagrado pelo Terras sem Sombra à memória de Giacometti, falecido em Faro, em 1990, e cujo corpo repousa em Peroguarda – aldeia alentejana que ele amou e cujas tradições musicais estudou ao longo de décadas. Esta iniciativa resulta da colaboração bilateral do festival alentejano com o Centro Superior de Investigação e Promoção da Música, da Universidade Autónoma de Madrid, iniciada em 2017. 

Na Rota de Soror Mariana Alcoforado

O nome de Soror Mariana Alcoforado, religiosa no convento da Conceição, é indissociável das cartas de amor dirigidas a Noël Bouton, conde de Saint-Léger, mais tarde marquês de Chamilly, e publicadas em França (1669) sob o título de Lettres Portugaises. A tarde de sábado é consagrada a percorrer uma “Rota de Mariana”, antecipando a celebração dos 350.º aniversário da publicação das Cartas Portuguesas, em 2019. Visitam-se, assim, monumentos e sítios que conservam a memória da célebre “Freira de Beja”: a casa onde nasceu, hoje sede do Club Bejense; a igreja de Santa Maria da Feira, onde foi baptizada; e o convento onde entrou com apenas 11 anos, passou toda a existência e está sepultada. Esta iniciativa tem o ponto de encontro no Museu Regional de Beja, às 15 horas, e é orientada pelos historiadores Florival Baioa Monteiro e José António Falcão.

Um santuário das aves na planície: a barragem dos Grous

Situada em Albernoa, a Herdade dos Grous caracteriza-se pela simbiose entre as actividades turísticas e as práticas agro-ambientais, apresentando diferentes tipos de habitats que permitem acolher uma grande variedade de espécies de aves, quer residentes, quer migratórias. A sua barragem constitui um santuário na planície para muitas dessas aves, que só podem ser observadas em biomas deste género, tipicamente mediterrânicos. 

Entre as mais de 200 espécies que se identificam no local, sobressaem o peneireiro-cinzento, a águia-pesqueira, o picanço-real-meridional, a poupa, o abelharuco, a andorinha-dáurica, o picanço-barreiteiro e o papa-figos, entre outros casos paradigmáticos. Um verdadeiro tesouro da biodiversidade alentejana, com repercussões mundiais, que atrai todos os anos muitos peritos em birdwatching.

Tirando partido deste contexto privilegiado para a conservação da natureza, o festival dedica a manhã de domingo, às 10 horas, a um passeio interactivo para a observação de aves, com uma explicação das práticas biológicas que a herdade está a desenvolver, em particular na vertente da exploração agrícola, e a realização de actividades práticas a ela associadas. 

São guias o biólogo Luís Salvador e do médico Dinis Cortes, grandes conhecedores da fauna da região. As iniciativas do Terras sem Sombra são de acesso livre e resultam da colaboração da Pedra Angular com a Câmara Municipal de Beja.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Terras sem Sombra - Concerto no Lagar de Oliveira da Serra, Linaria Ricardoi e visita a solar privado em Ferreira do Alentejo

Concerto no Lagar de Oliveira da Serra, Linaria Ricardoi e visita a solar privado em Ferreira do Alentejo

O Terras sem Sombra chegou a meio da sua programação e cabe agora ao município de Ferreira do Alentejo receber o quinto fim de semana do evento, nos dias 28 e 29 de Abril. Foi preparado um programa único em que a natureza, a música e o património edificado estão em destaque com uma busca de uma planta endémica, um concerto que se realiza num espaço improvável e um solar que se abre para receber o Festival. 

Um símbolo da terra

A descoberta de Ferreira do Alentejo começa às 15h00, de 28 de Abril, com a visita a uma propriedade privada que abre exclusivamente as suas portas para o Terras sem Sombra. A Quinta de São Vicente pertence a uma das famílias mais importantes da região. Uma casa que data do séc. XVIII e por onde passaram muitas figuras da política nacional desde o fim da monarquia até ao Estado Novo e é, como a propriedade que a envolve, um símbolo da terra. Será a própria proprietária, Wanda Passanha de Bivar Branco, que fará a visita a este solar português do séc. XIX, ladeada por Ricardo Pereira (arquitecto) e Maria João Pina (historiadora).

Concerto no Lagar

O Lagar de Oliveira da Serra, à entrada de Ferreira, acolhe pela primeira vez um concerto de piano, na noite de sábado, dia 28 de Abril. Este edifício foi escolhido para a realização do concerto por se tratar de uma peça fundamental da arquitectura contemporânea portuguesa, da autoria do arquitecto Ricardo Bak Gordon. Este edifício é uma fábrica, exemplificando como se pode coadunar excelente arquitectura e uma indústria. Mas, acima de tudo, o imóvel é uma “landmark” que associa a criação contemporânea a uma cultura tradicional, a do azeite.

Pauline Yang, iniciou os estudos de piano aos cinco anos e aos sete, venceu o seu primeiro concurso internacional, em Washington e irá interpretar um programa de diversos compositores, estilos e épocas da literatura do piano do século XVII aos nossos dias. A par da carreira artística, tem-se destacado como "embaixadora da Música” em campos de refugiados no Médio Oriente e em hospitais pediátricos, levando a música a crianças e suas famílias em cenários dramáticos. Tem uma visão humanística e artística que cativa.


Em busca da Linaria Ricardoi

O programa termina, na manhã de domingo, à procura de uma orquídea que só existe no baixo Alentejo. A Linaria Ricardoi é um endemismo lusitano muito raro, localizado na região de Beja, em solos de características ácidas, de textura média ou argilisa. Os núcleos populacionais recenseados incluem usualmente algumas centenas de exemplares, pelo que, esta encontra-se em perigo de extinção. O uso de herbicidas, resultado da intensificação agrícola, e o pastoreio intensivo contribuem de forma decisiva para um decréscimo populacional acentuado. Torna-se necessário inverter esta tendência. Cabe aos participantes nesta actividade, caso se justifique, limpar o que esteja a prejudicar a planta.

Será certamente um fim de semana que ficará na memória de todos.

As iniciativas do Festival Terras sem Sombra, uma organização da Pedra Angular e do Centro UNESCO de Arquitectura e Arte, são de acesso livre.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Terras Sem Sombra - Música da Europa Central, segredos arqueológicos e coelhos bravos


Mértola: Música da Europa Central, segredos arqueológicos e coelhos bravos.


O Terras sem Sombra caminha para o seu quarto evento desta temporada que se realiza já neste fim de semana em Mértola, nos dias 14 e 15 de Abril, depois de ter passado pela Vidigueira, Serpa e Odemira.

A igreja matriz de Mértola, um dos mais notáveis monumentos nacionais do Alentejo, recentemente requalificada, alia à beleza arquitectónica e à aura histórica, óptimas condições acústicas. Isto torna-a um sítio muito adequado para receber, a 14 de Abril, às 21h30, concerto intitulado Aos Quatro Ventos: Palimpsestos Musicais da Europa Central (Séculos XIX-XXI) organizado em parceria com o Município de Mértola e a Embaixada da Hungria. Em cena vai estar a melhor criação musical, da época romântica à actualidade, dos países do Grupo de Visegrád – Eslováquia, Hungria, Polónia e República Checa –, com obras de compositores tão marcantes como Chopin, Janácek, Dvorák, Kodály, Dadák, Kurtág, Dusík ou Malec. 

Os intérpretes, oriundos destes países, são estrelas nos palcos do mundo, tendo estudado, todos eles, na célebre Academia Liszt, de Budapeste, parceira do Terras sem Sombra. A dois cantores que triunfam na ópera, a soprano Anna Furjes e o tenor Miloslav Sykora, juntam-se dois génios do piano, Jan Vojtek e Lukasz Piasecki, a violoncelista Kristina Vocetková, recentemente aclamada nos Estados Unidos, e a virtuosa do cimbalão – instrumento característico da Europa Central – Gabriela Jílková. Um elenco de excepção para um programa realmente único, que retrata três séculos da vida musical do velho continente.

Desvendar os segredos arqueológicos de Mértola

Debruçada sobre o Guadiana, esta vila é uma povoação muito antiga, cujos segredos têm vindo a ser trazidos à luz por Cláudio Torres e pela sua equipa do Campo Arqueológico de Mértola. Nos últimos meses, obras num edifício municipal revelaram vestígios extraordinários da velha Myrtilis. Entre eles, contam-se várias estátuas da Roma imperial, de dimensão heróica, que, a par de outras evidências arqueológicas, levam a reescrever a história antiga do actual território português.

Na tarde de dia 14, com partida às 15h00, os arqueólogos Cláudio Torres, Susana Gómez e Virgílio Lopes orientarão uma visita ao centro histórico da localidade. Uma ocasião verdadeiramente privilegiada para conhecer o trabalho levado a cabo, ao longo de décadas, pelo Campo Arqueológico.


A gestão cinegética e a conservação da natureza

Mértola, capital nacional da caça e coração do Parque Natural do Vale do Guadiana, é uma das zonas mais relevantes do país quanto à biodiversidade. No seu concelho decorre uma experiência muito bem sucedida de reintrodução do lince-ibérico, só possível graças a uma articulação entre a gestão cinegética e a conservação dos recursos naturais, cujo epicentro é a Herdade das Romeiras. 

A manhã de domingo, dia 15, a partir das 9h30, vai ser dedicada pelo Terras sem Sombra, com a colaboração da ANPC - Associação Nacional de Proprietários Rurais, do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto, e do INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrícola e Veterinária à gestão da fauna selvagem com realce para o coelho bravo e a perdiz-vermelha, ambas espécies basilares do ecossistema local. Delas e, em particular do coelho, depende a sobrevivência de outras, como o lince-ibérico ou a águia-imperial, mas o coelho é muito afectado pela doença hemorrágica viral, epidemia que requer grandes cuidados, do ponto de vista da gestão criteriosa dos efectivos cinegéticos e de medidas de gestão do habitat. 

O ponto de encontro é o parque de estacionamento da rotunda à entrada da vila. A acção envolve um percurso para observação de fauna e paisagem e a participação em tarefas práticas de gestão sustentável da fauna selvagem com a recolha de informação para o projecto MAIS COELHO, incluindo a recolha de amostras em coelhos capturados vivos. Estes trabalhos são guiados por António Paula Soares (engenheiro biofísico), João Carvalho (engenheiro florestal), Paulo Célio Alves e Marisa Rodrigues (biólogos) e Margarida Duarte e Mónica Cunha (veterinárias).

As iniciativas do Festival Terras sem Sombra, uma organização da Pedra Angular e do Centro UNESCO de Arquitectura e Arte, são de acesso livre.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O mês de março no Terras sem Sombra: Prémios, Serpa e Odemira


O mês de março no Terras sem Sombra: Prémios, Serpa e Odemira


O Terras sem Sombra orgulha-se de após a votação do público e do júri, ter ficado nomeado para os Iberian Festival Awards nas categorias de Best Small Festival/ Melhor Festival de Pequena Dimensão e Best Cultural Programme / Melhor Programa Cultural, considerando um reconhecimento ao trabalho que vem desenvolvendo ao longo destas catorze edições.


Em março, o festival percorre mais dois concelhos do Baixo Alentejo: Serpa (2 e 3 de março) e Odemira (17 e 18 de março) onde os dois concertos programados estendem laços afectivos e musicais entre a Hungria e Portugal.

Em Serpa, o Festival apresenta, em estreia mundial, as Dez Canções Populares Húngaras, de Fernando Lopes-Graça. 64 anos depois de ter sido composto, este brilhante ciclo nunca foi escutado. O concerto, uma homenagem do Alentejo ao compositor português, revela as peças de Lopes-Graça e as canções da tradição popular húngara em o mestre que se inspirou. Para tal, coloca lado a lado, artistas lusos e húngaros, com a cantora lírica Cátia Moreso e os cantores magiares Hanga Kacksó e Áron Vára (também bailarino), acompanhados por Nuno Vieira de Almeida, ao piano – um grande conhecedor da obra de Lopes-Graça, de quem foi amigo – e por Béla Szerényi, na sanfona, na flauta e no “tárogató”. Um evento muito especial, em que dois músicos portugueses de referência são parceiros de jovens intérpretes húngaros, com a garantia interpretativa da Academia Liszt, e em que a música se conjuga com a dança.

No concerto de Odemira, por seu turno, o protagonismo cabe ao Vena Piano Trio. Este ensemble, que está a despertar grande interesse nos palcos europeus, reúne três artistas, oriundas de três países, todos eles formados, ao mais alto nível, na Academia Liszt: a pianista, Andrea Fernandes, é portuguesa e colabora com a Ópera de Budapeste, ao passo que a violinista e a violoncelista, Erzsebet Hutas e Kamila Słodkowska, são, respectivamente, húngara e polaca. Associa-se ao concerto o compositor português Eurico Carrapatoso, partilhando o programa com mestres dos séculos XIX e XX: Kodály, Hubay e Chopin.

As tardes de sábado são dedicadas, a partir das 15h00, a conhecer a monumentos extraordinários, geralmente inacessíveis ao público.

Em Serpa, no dia 2 de Março, o Terras sem Sombra abre as portas do Convento de Santo António, um dos mais notáveis exemplos da arquitectura tardo-gótica no Alentejo e um marco da história regional. A visita conta com a orientação de António Martins Quaresma (historiador) e José António Falcão (historiador da arte).

Quanto a Odemira, o alvo é um dos moinhos de vento do sítio dos “moinhos juntos”. Este equipamento recuperado pelo Município, encontra-se capaz de moer. Visitá-lo oferece uma ocasião para conhecer um património protoindustrial digno de atenção, mas também para se reflectir sobre o uso sustentável de energias renováveis, um dos grandes desafios que se colocam à sociedade actual. Com a orientação de Ana Tendeiro Gonçalves (antropóloga), António Martins Quaresma (historiador) e José Matias (técnico de museus), na tarde de sábado do dia 17 de Março.

Ambos os programas fecham no domingo com iniciativas de salvaguarda da biodiversidade que juntam a prática à teoria – todos os participantes são voluntários que dão uma mão à Mãe Natureza. Em Serpa, vamos conhecer e defender os olivais com 2000 anos que produzem um azeite muito apreciado pelas suas características singulares, com os engenheiros agrónomos José Pedro Fernandes de Oliveira e Francisco Garcia. E, em Odemira, partimos à descoberta da geo e da biodiversidade nas falésias, campos agrícolas e bosquetes do Cabo Sardão, que representa um habitat de grande interesse para a vida selvagem. Os orientadores são Rita Balbino (bióloga), Carlos Cupeto (geólogo) e António Martins Quaresma (historiador).

Todas as actividades são de acesso livre.



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Terras sem Sombra abre 14.ª edição na Vidigueira



Terras sem Sombra abre 14.ª edição na Vidigueira



O festival do Baixo Alentejo que une a programação musical – clássica e tradicional – a actividades de valorização do património e de salvaguarda da biodiversidade, está de volta para uma nova temporada, que se estende até Julho.

O arranque desta 14.ª edição vai ser já a 17 de fevereiro na Vidigueira, “terroir” de sublimes vinhos, onde a cultura e natureza andam de mãos dadas ao longo de paisagens de cortar a respiração.

O Terras sem Sombra propõe uma experiência aberta a todos os sentidos, convidando os espectadores em cada fim-de-semana a viverem um programa aliciante, que associa a descoberta de notáveis repertórios e intérpretes à visita a monumentos extraordinários, geralmente inacessíveis ao público, e à participação em acções de salvaguarda da biodiversidade.


A tarde de sábado, dia 17, é dedicada, a partir das 14h30, a conhecer uma propriedade particular, o convento carmelita de Nossa Senhora das Relíquias (Quinta do Carmo). Vasco da Gama, o célebre navegador, 1.º conde de Vidigueira, faleceu em Cochim, na Índia, em 1524. Os restos mortais do almirante vieram para a igreja deste convento, em 1539, e aí estiveram até à sua trasladação para o mosteiro dos Jerónimos, em 1880. Cuidadosamente preservada, a velha casa religiosa é um tesouro de arte. A orientação da visita está a cargo dos proprietários, Mário, Susana e Filipa Maia e Silva, e do arquitecto José António Falcão.


A igreja matriz de Vila de Frades, às 21h30, recebe o Vaszy Viktor Kamarakórus (o Coro de Câmara da Ópera Nacional e da Catedral de Szeged), sob a direcção de Sándor Gyüdi. A iniciativa resulta da parceria do Festival com a Câmara Municipal e a Adega Cooperativa locais, além do Turismo do Alentejo e do Ministério da Cultura.

Fundado no ano de 1958 em Szeged, a terceira cidade da Hungria, país convidado desta edição, o Vaszy Viktor Kamarakórus tem pisado os principais palcos do mundo. O maestro Sándor Gyüdi, detentor de importantes prémios e de extensa discografia, constitui uma referência internacional para quem gosta de polifonia, desde a tradição gregoriana até aos maiores compositores sacros da actualidade.


A manhã do dia 18, a partir das 10h00, é votada às tradições vitivinícolas da região. Sob a orientação de Virgílio Loureiro, professor no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa e José Miguel Almeida, agrónomo e presidente da Adega Cooperativa, mas também de produtores, como Joaquim Galante de Carvalho e Arlindo Ruivo, vão ser percorridas vinhas centenárias, de onde provém a uva utilizada no célebre vinho de talha ou “petroleiro” – um vinho medieval feito com tecnologia romana. Participar na poda, na época própria para isso, e confrontar práticas antigas e modernas, eis o desafio lançado aos voluntários do Festival.

Nascido em 2003, o projecto Terras sem Sombra resulta de uma iniciativa da sociedade civil. Tem como promotora a associação Pedra Angular e resulta da parceria entre várias entidades. O festival itinera nos concelhos de Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Mértola, Barrancos, Elvas e Beja, de 17 de Fevereiro a 8 de Julho. Todas as actividades são de acesso livre.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Programa completo Terras sem Sombra 2018

Terras sem Sombra começa em Fevereiro


A 14ª edição do Terras sem Sombra foi apresentada hoje na Embaixada da Hungria em Portugal. A Hungria assume um papel, como protagonista, nesta edição onde são também convidados os Estados Unidos da América e Espanha. O Festival começa a 17 de Fevereiro em Vila de Frades apresentando uma viagem ao conhecimento através da música.

Este ano, o número de eventos aumenta, para dez, com a incorporação de novos concelhos, como Barrancos e Elvas, e o regresso a Mértola e à Vidigueira. Assim, os municípios visitados em 2018 são Vidigueira, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Mértola, Barrancos, Elvas e Beja.

As temáticas de valorização do património e da salvaguarda da biodiversidade ganham mais relevo nesta edição, com uma programação que abre as portas de Quintas, Conventos, Moinhos, Adegas e Herdades entre outros locais de património material e imaterial propondo um novo olhar e oferecendo uma perspectiva inovadora do território. Através da colaboração com diversas associações, proprietários, universidades, entre outras entidades locais, foram elaborados dois programas cuja finalidade é chamar a atenção da opinião pública para as fragilidades e oportunidades do Baixo-Alentejo.

A programação de música conta com cinco concertos “centro-europeus” que são complementares. Dois deles estendem laços afectivos e musicais a Portugal: num, sublinham-se as relações entre algumas obras do compositor Fernando Lopes-Graça e as canções populares húngaras em que se inspirou, pondo lado a lado, com a garantia interpretativa da Academia Liszt, artistas lusos e húngaros; no outro, o de Vena Piano Trio, a pianista, Andrea Fernandes, é portuguesa e colabora com a Ópera de Budapeste, ao passo que a violinista e a violoncelista, Erzsebet Hutas e Kamila Słodkowska, são, respectivamente, húngara e polaca. Associa-se a este concerto o compositor Eurico Carrapatoso, partilhando o programa com Kodály e Chopin. O Coro de Câmara Vaszy Viktor, oferece um repertório de música sacra, do século XIX aos nossos dias. Quanto aos dois concertos restantes, o protagonismo recai sobre a Academia Liszt: um resulta da participação de alunos finalistas, oriundos de todos os países do Grupo de Visegrád, que interpretam obras de compositores afins, mormente Dvorák, Janácek, Chopin e Kodály; o concerto final é dedicado à música contemporânea húngara, apresentando peças de Kurtág, Bartók e Eötvös a par das de mestres das novas gerações. Por sua vez, o pianista Artur Pizarro dedica o seu concerto a Liszt e a um dos grandes discípulos e amigos do virtuoso maestro húngaro, José Vianna da Motta. Esta sólida relação húngaro-portuguesa vê-se reforçada pelo concerto do Ludovice Ensemble(Barrancos), sob a direcção de Fernando Miguel Jalôto.


O concerto da jovem pianista americana Pauline Yang – que aos 11 anos já dera um recital no Carnegie Hall, de Nova Iorque, é uma peregrinação por obras-primas do piano. De Espanha, chega-nos um invulgar concerto de órgão, trombeta histórica e percussões, pelo trio formado por Vicente Alcaide, Abraham Martínez e Alvaro Garrido. Além de tudo isto, um concerto realizado em co-produção com a Universidade Autónoma de Madrid evoca o Canto corso, que tantas semelhanças apresenta com o Cante alentejano, trazendo a Beja o ensemble vocal Barbara Furtuna. Trata-se do primeiro fruto de um protocolo pioneiro, estabelecido entre o festival alentejano e o Centro Superior de Investigación y Promoción de la Música daquela universidade.

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O Terras sem Sombra, organizado pela Associação Pedra Angular, revela através da sua programação, o que há de mais fascinante nos territórios que visita, dos centros históricos às áreas rurais, da vida selvagem às tradições locais.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A 14.ª temporada do Terras sem Sombra começa em Fevereiro


A 14.ª temporada do Terras sem Sombra começa em Fevereiro 



O Terras sem Sombra volta em 2018 para partilhar o legado cultural e natural do Alentejo e dar a conhecer um território de identidade ímpar, que se afirma como um notável destino de arte e natureza.

Aproximando o Distante: Tradição e Vanguarda na Música Europeia (Séculos XVI-XXI) é o mote desta 14.ª edição, cuja programação presta especial atenção ao facto de que se comemora em 2018 o Ano Internacional do Património Cultural, efeméride a cujo programa oficial o Terras sem Sombra se associa, a convite do Ministério da Cultura.

Nesta viagem ao conhecimento através da música, a Hungria assume um papel, como protagonista, na actual edição de Terras sem Sombra e, também, do Grupo de Visegrád, formado pela Hungria, pela Polónia, pela República Checa e pela Eslováquia. São também convidados, em 2018, os Estados Unidos da América e Espanha.


Este ano, o número de concertos aumenta, pela primeira vez, para dez, com a incorporação de novos concelhos, como Barrancos ou Elvas, e o regresso a outros onde a presença do Terras sem Sombra era há muito reclamada, como Mértola e Vidigueira. Assim, os municípios visitados pelo festival este ano são Vidigueira, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Mértola, Barrancos, Elvas e Beja, de 17 de Fevereiro a 8 de Julho.

O Terras sem Sombra revela, através da sua programação, o que há de mais fascinante nos territórios que visita, dos centros históricos às áreas rurais, da vida selvagem às tradições locais. Cada fim-de-semana do festival caracteriza-se por dar a conhecer em cada concelho percorrido os três pilares em que assenta este evento único no mundo: o património, a música e a biodiversidade. Assim, abre as portas, em exclusivo, de espaços habitualmente fechados ao público, através de uma visita guiada por conhecedores, nas tardes de sábado; os concertos programados realizam-se também aos sábados, à noite, em igrejas e outros monumentos que sobressaem pelo valor patrimonial e pelas condições acústicas. E, nas manhãs de domingo, têm lugar as acções de voluntariado para a salvaguarda da biodiversidade em diferentes espaços naturais.

Fundado em 2003, o projecto Terras sem Sombra é uma iniciativa da sociedade civil. Tem como promotora a Associação Pedra Angular e resulta de uma parceria entre várias entidades, com destaque para as autarquias.