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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Sérgio Godinho com Orquestra Metropolitana de Lisboa no São Luiz


Sérgio Godinho com Orquestra Metropolitana de Lisboa no São Luiz
Temporada de concertos entre 5 e 8 de julho


Sérgio Godinho está de regresso ao São Luiz Teatro Municipal. Um regresso motivado por um desafio lançado pela direcção artística do teatro – a realização de uma temporada de concertos na companhia da Orquestra Metropolitana de Lisboa. E, por incrível que pareça, uma estreia, a “debutância” em palco com uma formação musical com estas características, com esta riqueza. E se o percurso do “escritor de canções” tem sido marcado ao longo dos anos por inúmeras apresentações na sala lisboeta, como a primeira em Maio de 1974 numa sessão de canto livre ou quando, nos 40 anos do 25 de Abril, “ocupou” o teatro com o espectáculo “Liberdade”, este convite reveste-se de características especiais já que possibilitará uma nova abordagem à sua obra, dando (mais) uma nova vida às canções que nos têm acompanhado nas últimas décadas.

E que melhor momento para o fazer que quando se segue à edição de "Nação Valente”, o seu 18º trabalho de estúdio, um álbum que nos traz de volta ao conforto e à inquietação que Sérgio Godinho nos tem proporcionado ao longo da sua carreira? Afinal, olhar para a obra de Sérgio Godinho é também descobrir uma parte significativa da nossa vivência, do nosso quotidiano, do amor, das lutas, das perdas e das alegrias. Uma nação, necessariamente valente, feita de vida.


Para estas apresentações com a distinta Orquestra Metropolitana de Lisboa, Sérgio Godinho chamou o melhor e os melhores dos que o têm acompanhado nos últimos anos – para os arranjos para orquestra e ainda a participação especial ao piano, Filipe Raposo, pianista, compositor e arranjador com quem Sérgio realiza habitualmente concertos de voz e piano; o núcleo duro dos inconfundíveis “Assessores”, dirigidos pelo talentoso Nuno Rafael, companheiro de palco e de estúdio há já quase duas décadas; e para a condução da Metropolitana, Cesário Costa, maestro experimentado na arte de encontrar ligações entre linguagens musicais diversas com elegância e tranquilidade.

Em palco, às canções que compõem o disco mais recente juntar-se-ão outras, menos recentes, das mais e menos conhecidas: Os inevitáveis “O primeiro dia” ou “Com um brilhozinho nos olhos” reforçarão o seu carácter de clássicos com a grandiosidade que a OML lhes imprimirá; “Grão da mesma mó” ou “Noite e dia”, serão alguns dos temas que representarão a contemporaneidade da sua obra, canções que, como se comprovou com “Nação Valente”, confirmam a frescura criativa de Sérgio Godinho;

Mas também momentos de intensidade dramática quando Sérgio, acompanhado pelo piano de Filipe Raposo, interpretar “Fotos do fogo” ou, num tributo duplo, evocar Luís de Camões e José Afonso com “Endechas a bárbara escrava”; Ou ainda, experienciar a ironia de canções como “Bem-vindo Sr. Presidente” ou “Só neste país” cuja pompa será reforçada com a presença da OML.

Um retrato único e imperdível desta nação valente através de Sérgio Godinho e a Orquestra Metropolitana de Lisboa.

SÉRGIO GODINHO & ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA
SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
DIAS 5, 6 E 7 DE JULHO - 21H
DIA 8 DE JULHO – 17H30
BILHETES ENTRE 11€ E 22€ 

Sérgio Godinho: voz
Nuno Rafael: guitarras eléctricas e acústicas, cavaquinho, lap steel guitar, percussão, coros;
Miguel Fevereiro: guitarras eléctricas e acústicas, percussão, coros
Nuno Espirito Santo: baixo, percussão
João Cardoso: teclados, samplers, coros
Sérgio Nascimento: bateria, percussão

Filipe Raposo: piano e arranjos para orquestra

Cesário Costa: maestro
Orquestra Metropolitana de Lisboa: instrumentação

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Sérgio Godinho - Coro das velhas


Letra

Ia eu pelo conselho de caminha
quando vi sentada ao sol uma velhinha
curioso, uma conversa entabulei
como se diz nuns romances que eu cá sei

chamo-me adozinha, disse, e tenho já
os meus 84 anos, feitos há
mês e meio, se a memória não me falha
mas inda vou durar uns anos, deus me valha

com esta da austeridade, meu senhor
nem sequer dá para ir desta pra melhor
os funerais estão por um preço do outro mundo
dá para desistir de ser um moribundo

rabujenta, eu? não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que cá deixo
não é por mim que eu me queixo

ó felisbela, ó felismina
ó adelaide. ó amelinha
ó maria berta, ó zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?

cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas bis

não sei ler nem escrever mas não me ralo
alguns há que até a caneta lhes faz calo
é só assinar despachos e decretos
p'ra nos dar a ler a nós, analfabetos

e saúde, eu tenho p'ra dar e vender
não preciso de um ministro para ter
tudo o que ele anda a ver se me pode dar
pode ir ele p'ro hospital em meu lugar

e quanto a apertar o cinto, sinto muito
filosofem os que sabem lá do assunto
mas com esta cinturinha tão delgada
inda posso ser de muitos namorada

rabujenta, eu? não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que cá deixo
não é por mim que eu me queixo

e se a morte mafarrica, mesmo assim
ma apartar das outras velhas, logo a mim
digo ao diabo, não te temo, ó camafeu
conheci piores infernos do que o teu

rabujenta, eu? não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que cá deixo
não é por mim que eu me queixo

domingo, 29 de abril de 2018

Sérgio Godinho (ft. David Fonseca) - Balada da Rita


Letra

Disseram-me um dia, Rita (põe-te em guarda)
aviso-te, a vida é dura (põe-te em guarda)
cerra os dois punhos e andou (põe-te em guarda)
e eu disse adeus à desdita
e lancei mãos à aventura
e ainda aqui está quem falou

Galguei caminhos-de-ferro (põe-te em guarda)
palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)
dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)
e a solidão, não erro
se ao chamá-la, o seu nome
me vai que nem uma luva

Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
vivi com homens safados (põe-te em guarda)
morei com homens de briga (põe-te em guarda)
uns acabaram de maca
e outros ainda mais deitados
o coveiro que o diga

O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu para nada

E um dia de tanto andar (põe-te em guarda)
eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)
entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)
mas quem tratou de me amar
soube estancar o meu sangue
e soube erguer-me do chão

Veio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)
passearam-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)
encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)
mas é sempre a mesma história
depois do primeiro assombro
logo o corpo fica farto

O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu para nada

sábado, 14 de abril de 2018

O Primeiro Dia - Sérgio Godinho



Letra

A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem cansaços e o corpo frequeja
molha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Sérgio Godinho em Concerto em Sintra com Márcia e David Fonseca


Sérgio Godinho
Concerto em Sintra com Márcia e David Fonseca
“Nação Valente” continua no TOP


Em registo de apresentação do novo álbum, Sérgio Godinho convidou para o espectáculo que realizará no próximo dia 20 de Abril no Centro Cultural Olga Cadaval, dois dos seus cúmplices de criação de “Nação Valente” – Márcia e David Fonseca.

Para “Nação Valente”, David Fonseca contribui com a composição de “Grão da mesma mó”, o tema que abre o disco e um dos favoritos do público. Já Márcia viu uma das suas canções ser “apropriada” por Sérgio Godinho - originalmente incluído no disco “Casulo”, “Delicado” desde cedo despertou a atenção de Sérgio Godinho, não sendo por isso uma surpresa escutar esta canção em “Nação Valente”.

Será um privilégio para os que se deslocarem ao Olga Cadaval assistir ao encontro em palco de três gerações de cantautores nacionais – com Márcia, uma cumplicidade iniciada quando versionou para o disco “Voz & Guitarra” o original de Sérgio “Às vezes o amor”; com David, a celebrar 20 anos, quando do aparecimento dos Silence 4, banda com a qual a colaboração à época, se estendeu por partilhas de autorias e participações em concertos

Já “Nação Valente” vai prosseguindo o seu percurso comercial com assinalável destaque mantendo-se esta semana no Top Ten, em sexto lugar, confirmando que também o público encontra em “Nação Valente” um dos seus melhores discos de sempre.

Ao vivo, as apresentações vão-se sucedendo, confirmando a apetência para “ao vivo” de Sérgio Godinho demonstrou e destas novas canções que compõem “Nação Valente”.

AGENDA:

20 ABR / CENTRO CULTURAL OLGA CADAVAL / SINTRA

21 ABR / TEATRO CINE / FAFE

24 ABR / MONTEMOR-O-NOVO

25 ABR / TEATRO DIOGO BERNARDES / PONTE DE LIMA

28 ABR / NISA (espectáculo “Juntos” com Jorge Palma)

6 MAI / CINETEATRO MUNICIPAL / CASTRO VERDE

18 MAI / MUSEU DA MARIONETA / LISBOA (recital com Filipe Raposo)

30 MAI / CASINO / PÓVOA DO VARZIM

ALINHAMENTO:

1 – GRÃO DA MESMA MÓ (Letra: Sérgio Godinho; Música: David Fonseca) – videoLETRA

2 – ARTESANATO (Letra: Sérgio Godinho; Música: Hélder Gonçalves) - videoLETRA

3 – BARALHO DE CARTAS (Letra e música: Sérgio Godinho) – videoLETRA

4 – NAÇÃO VALENTE (Letra: Sérgio Godinho; Música: Hélder Gonçalves) – videoLETRA

5 – MARIANA PAIS, 21 ANOS (Letra: Sérgio Godinho; Música: José Mário Branco) - vídeoLETRA

6 – TIPO CONTRAFACÇÃO (Letra: Sérgio Godinho; Música: Nuno Rafael) – videoLETRA

7– NOITES DE MACAU (Letra e música: Sérgio Godinho) – videoLETRA

8 – DELICADO (Letra e música: Márcia; Arranjo: Nuno Rafael) – videoLETRA

9 – NOITE E DIA (Letra: Sérgio Godinho; Música: Filipe Raposo) - videoLETRA

10 - ATÉ JÁ, ATÉ JÁ (Letra: Sérgio Godinho; Música: Pedro da Silva Martins) – videoLETRA

sábado, 24 de março de 2018

Sérgio Godinho - Etelvina


Letra

Etelvina Com Seis Meses Já Se Tinha De Pé
Foi Deixada Num Cinema Depois Da Matinée
Com Um Recado Na Lapela Que Dizia Assim:
"Quem Tomar Conta De Mim
Quem Tomar Conta De Mim
Saiba Que Fui Vacinada
Saiba Que Sou Malcriada"

Etelvina Com Dezasseis Anos Já Conhecia
Todos Os Reformatórios Da Terra Onde Vivia
Entregaram-Na A Uma Velha Que Ralhava Assim:
"Ai Menina Sem Juízo
Nem Mereces Um Sorriso
Vais Acabar Num Bueiro
Sem Futuro Nem Dinheiro"

Eu Durmo Sozinha À Noite
Vou Dormir À Beira Rio À Noite À Noite
Acocorada Com O Frio À Noite À Noite

Etelvina Era Da Rua Como Outros São Do Campo
Sua Cama Era Um Caixote Sem Paredes Nem Tampo
Sua Janela Uma Ponte Que Dizia Assim:
"Dentro Das Minhas Cidades
Já Não Sei Quem É Ladrão
Se Um Que Anda Fora Das Grades
Se Outro Que Está Na Prisão"

Etelvina Só Gostava Era De Andar Pela Cidade
A Semear Desacatos E A Colher Tempestade
A Meter Com Os Ricaços A Dizer Assim:
"Você Que Passa De Carro
Ferre Aqui A Ver Se Eu Deixo
Venha Cá Que Eu Já O Agarro
Dou-Lhe Um Pontapé No Queixo"

Eu Durmo Sozinha À Noite ...

Etelvina Já Cansada De Viver Sem Ninguém
A Não Ser De Vez Em Quando Amores De Vai E Vem
Pôs Um Anúncio No Jornal Que Dizia Assim:
"Mulher Desembaraçada
Quer Viver Com Alma Irmã
De Quem Não Seja Criada
De Quem Não Seja Mamã"

Etelvina Já Sabia Que Não Ia Encontrar
Nem Um Príncipe Encantado Nem Um Lobo Do Mar
Só Alguém Com Quem Pudesse Dizer Assim:
"O Amor Já Não É Cego
Abre Os Olhinhos À Gente
Faz Lutar Com Mais Apego
A Quem Quer Vida Diferente"

O Seu Homem Encontrou-O À Noite
A Dormir À Beira Rio À Noite À Noite
Acocorado Com O Frio À Noite À Noite

Não encontrei os créditos desta música

domingo, 11 de março de 2018

Sérgio Godinho - “Nação Valente” em formato vinil chega às lojas


Sérgio Godinho

“Nação Valente” em formato vinil chega às lojas 9 de Março

Pela 5ª semana consecutiva nos lugares cimeiros do TOP

“Nação Valente”, o mais recente trabalho discográfico de Sérgio Godinho chega na próxima 6ª feira às lojas no formato de LP “long play” ou, num termo mais contemporâneo, “em vinil”. Um formato familiar para Sérgio Godinho já que todas as suas obras assim foram publicadas até ao início da década de 90 do século XX. Aliás, recentemente as suas primeiras obras foram reeditadas em 12’’.
Este lançamento ocorre na semana em que pela 5ª semana consecutiva se mantêm nos lugares de cimeiros do TOP Nacional de Vendas, mantendo o 2º lugar da semana passada, isto depois de já ter ocupado o nº 1 em duas das semanas anteriores. Um percurso comercial inteiramente merecido e correspondente à qualidade que as 10 canções que constituem “Nação Valente” têm – partilhas de composições com o David Fonseca, Filipe Raposo, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins ou José Mário Branco como suporte a letras de rara sensibilidade intelectual e destreza emocional ou não fosse Sérgio Godinho, o “escritor de canções”.
E também ao vivo “Nação Valente” tem despertado grande interesse e curiosidade junto do público como foram prova as passagens por Lisboa e Porto nos últimos dois finais de semana, com 5 concertos esgotados no Capitólio (23, 24 e 25 Fevereiro) e na Casa da música (3 e 4 de Março). Os novos temas revelaram nestas primeiras apresentações ao vivo uma singular capacidade para se agigantarem em palco e merecerem uma forte participação da audiência – “Grão de mesma mó”, “Tipo-Contrafacção” e o tema título “Nação Valente” são disso exemplo.
Ao vivo, “Nação Valente” arranca para as apresentações pelo país com paragem anunciada no dia 17 de Março no Grande Auditório do Centro Cultural de Ílhavo.
ALINHAMENTO:
1 – GRÃO DA MESMA MÓ (Letra: Sérgio Godinho; Música: David Fonseca) – videoLETRA 
2 – ARTESANATO (Letra: Sérgio Godinho; Música: Hélder Gonçalves) - videoLETRA 
3 – BARALHO DE CARTAS (Letra e música: Sérgio Godinho) – videoLETRA 
4 – NAÇÃO VALENTE (Letra: Sérgio Godinho; Música: Hélder Gonçalves) – videoLETRA
5 – MARIANA PAIS, 21 ANOS (Letra: Sérgio Godinho; Música: José Mário Branco) - vídeoLETRA
6 – TIPO CONTRAFACÇÃO (Letra: Sérgio Godinho; Música: Nuno Rafael) – videoLETRA
7– NOITES DE MACAU (Letra e música: Sérgio Godinho) – videoLETRA
8 – DELICADO (Letra e música: Márcia; Arranjo: Nuno Rafael) – videoLETRA
9 – NOITE E DIA (Letra: Sérgio Godinho; Música: Filipe Raposo) - videoLETRA
10 - ATÉ JÁ, ATÉ JÁ (Letra: Sérgio Godinho; Música: Pedro da Silva Martins) – videoLETRA

sábado, 3 de março de 2018

Sérgio Godinho - A caminho da Casa da Música, esgota o Capitólio em três concertos consecutivos


Sérgio Godinho
A caminho da Casa da Música, esgota o Capitólio em três concertos consecutivos
“Nação Valente” em nº 2 do TOP


Sérgio Godinho estreou em palco, no passado final de semana, em Lisboa o seu mais recente trabalho discográfico. O Capitólio assistiu à apresentação das canções que constituem o aclamado “Nação Valente” em três concertos consecutivos que lotaram a renovada sala lisboeta. A estreia não poderia ser mais auspiciosa, o público escutou (e participou) rendido aos novos temas antevendo que alguns deles se transformem rapidamente em clássicos na sua discografia e concertos.

Na companhia dos “Assessores” – Nuno Rafael, João Cardoso, Sérgio Nascimento, Miguel Fevereiro e Nuno Espírito Santo – Sérgio Godinho percorreu quase por completo o alinhamento de “Nação Valente”, deixando apenas de fora “Noites de Macau”. Canções como, “Noite e dia”, "Até já, até já” ou “Tipo Contrafacção” ganham uma nova dimensão quando interpretadas ao vivo, sendo curioso ver na plateia a grande maioria dos músicos com quem partilhou as autorias do novo disco: David Fonseca, Filipe Raposo, Pedro da Silva Martins, Hélder Gonçalves ou Márcia juntaram-se ao público nos coros que a plateia foi assumindo ao longo do concerto. De destacar a forma como Sérgio Godinho e companheiros foram presenteados – quando dos agradecimentos, o público arrancou na entoação dos coros de “Grão da mesma mó”, o tema que abre o novo disco.

No próximo fim- de- semana, o destino é o Porto, mais exactamente a Casa da Música, para dois concertos que se esperam memoráveis e que marcam o reencontro com o público nortenho.

Entretanto, “Nação Valente” ocupa o 2º lugar no TOP Nacional de Vendas depois de na semana passada ter regressado ao 1º lugar, lugar que já havia ocupado na semana de lançamento.

“Nação Valente” tem produção de Nuno Rafael, um dos seus habituais “assessores”, e conta com a partilha na composição das canções com alguns dos nomes que Sérgio Godinho mais respeita da música nacional. Falamos de nomes como David Fonseca, Filipe Raposo, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins ou um velho companheiro, José Mário Branco. Márcia é outro dos nomes que aparece aqui, por ter o único tema no disco para o qual Sérgio Godinho faz uma versão. “Nação Valente” tem a ainda a colaboração do “multidisciplinar” Filipe Melo que soma à sua participação enquanto músico, os (memoráveis) arranjos para cordas e sopros.

Concertos de apresentação:

Dias 3 (21H30) & 4 (17H30) de Março – Casa da Música


ALINHAMENTO:

1 – GRÃO DA MESMA MÓ (Letra: Sérgio Godinho; Música: David Fonseca) – videoLETRA

2 – ARTESANATO (Letra: Sérgio Godinho; Música: Hélder Gonçalves) - videoLETRA

3 – BARALHO DE CARTAS (Letra e música: Sérgio Godinho) – videoLETRA

4 – NAÇÃO VALENTE (Letra: Sérgio Godinho; Música: Hélder Gonçalves) – videoLETRA

5 – MARIANA PAIS, 21 ANOS (Letra: Sérgio Godinho; Música: José Mário Branco) - vídeoLETRA

6 – TIPO CONTRAFACÇÃO (Letra: Sérgio Godinho; Música: Nuno Rafael) – videoLETRA

7– NOITES DE MACAU (Letra e música: Sérgio Godinho) – videoLETRA

8 – DELICADO (Letra e música: Márcia; Arranjo: Nuno Rafael) – videoLETRA

9 – NOITE E DIA (Letra: Sérgio Godinho; Música: Filipe Raposo) - videoLETRA

10 - ATÉ JÁ, ATÉ JÁ (Letra: Sérgio Godinho; Música: Pedro da Silva Martins) – videoLETRA

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Sérgio Godinho Regressa ao nº 1 do TOP de vendas na semana em que se apresenta em Lisboa


Sérgio Godinho
Regressa ao nº 1 do TOP de vendas na semana em que se apresenta em Lisboa


“Nação Valente”, o novo disco de Sérgio Godinho regressa ao 1.º lugar do TOP de vendas nacional, posição que ocupou na semana de lançamento. O regresso ao cimo da tabela dá-se na semana que se apresenta em Lisboa, no Capitólio, em três datas consecutivas, as duas primeiras já esgotadas. Os concertos serão dia 23, 24 de Fevereiro pelas 21H30, e às 17H30 de dia 25.

No fim-de-semana seguinte, a 3 e 4 de março, é a vez da Casa da Música receber as canções ao vivo daquele que para a generalidade da crítica é um dos melhores discos de Sérgio Godinho. No Porto, neste momento apenas é possível a aquisição de bilhetes para a matinée de dia 4.


“Nação Valente” tem produção de Nuno Rafael, um dos seus habituais “assessores”, e conta com a partilha na composição das canções com alguns dos nomes que Sérgio Godinho mais respeita da música nacional. Falamos de nomes como David Fonseca, Filipe Raposo, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins ou um velho companheiro, José Mário Branco. Márcia é outro dos nomes que aparece aqui, por ter o único tema no disco para o qual Sérgio Godinho faz uma versão. “Nação Valente” tem ainda a colaboração do “multidisciplinar” Filipe Melo que soma à sua participação enquanto músico, os (memoráveis) arranjos para cordas e sopros.

Concertos de apresentação:

23, 24 & 25 Fevereiro – Capitólio

3 & 4 de Março – Casa da Música

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sérgio Godinho Esgota concertos em Lisboa e anuncia data extra no Capitólio


Sérgio Godinho
Esgota concertos em Lisboa e anuncia data extra no Capitólio
“Nação Valente” no 2º lugar do TOP


Os concertos de apresentação do novíssimo álbum de Sérgio Godinho - “Nação Valente” - anunciados para os próximos dias 23 e 24 de Fevereiro no Capitólio encontram-se esgotados, sendo agora anunciada a abertura de uma nova data – 25 de Fevereiro, pelas 17H30.

Efectivamente, face ao elevado interesse que “Nação Valente” tem despertado junto do público, Sérgio Godinho irá realizar um terceiro espectáculo na icónica sala do Parque Mayer, uma matinée na tarde de dia 25. Aliás, também no Porto, que conta com concertos na Casa da Música a 3 e 4 de Março, a procura tem sido intensa sendo de momento apenas possível a aquisição de bilhetes para o segundo dos dias previstos.

Os bilhetes têm o preço único de 20€ e podem ser adquiridos em www.blueticket.pt e nos locais habituais.

O disco, considerado unanimemente como um dos melhores da sua discografia, encontra-se no 2º lugar do TOP Nacional de vendas depois de ter liderado a tabela na semana de lançamento – “… é o melhor dos discos que Sérgio já gravou neste século e entra na lista dos seus melhores de sempre…”; “Há poesia em cada canção. E em cada canção que nos oferece pode começar o resto da nossa vida”; ”Nunca a partilha num disco de Sérgio Godinho foi tão quimicamente intensa como neste novo ‘Nação Valente”; “Nação Valente é Godinho a tirar o pulso a este país enquanto se ausculta a si mesmo. Um disco fulgurante, para ler e reler” – são algumas elogiosas frases que podemos ler na media nacional a propósito do 18º álbum de estúdio do “escritor de canções”.

“Nação Valente” tem produção de Nuno Rafael, um dos seus habituais “assessores”, e conta com a partilha na composição das canções com alguns dos nomes que Sérgio Godinho mais respeita da música nacional. Falamos de nomes como David Fonseca, Filipe Raposo, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins ou um velho companheiro, José Mário Branco. Márcia é outro dos nomes que aparece aqui, por ter o único tema no disco para o qual Sérgio Godinho faz uma versão. “Nação Valente” tem a ainda a colaboração do “multidisciplinar” Filipe Melo que soma à sua participação enquanto músico, os (memoráveis) arranjos para cordas e sopros.

Concertos de apresentação:

23, 24 & 25 Fevereiro – Capitólio

3 & 4 de Março – Casa da Música

Bilhetes à venda nos locais habituais

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Sérgio Godinho - “Nação Valente” entra diretamente para o 1.º lugar do TOP de Vendas nacional

Sérgio Godinho

“Nação Valente” entra diretamente para o 1.º lugar do TOP de Vendas nacional

“Gostaria de nomear-vos um a um, por ordem de entrada em cena – o David Fonseca, o Hélder Gonçalves, o José Mário Branco, o Nuno Rafael, a Márcia, o Filipe Raposo, o Pedro daSilva Martins", escreve Sérgio Godinho em jeito de agradecimento aos que com ele assinam as autorias das canções que compõem o tão elogiado “Nação Valente”.
E continua: “Porque foram eles que deram, em primeiro lugar, voz musical ao que viria a ser a minha voz poética – e pouco a pouco tornar-se uma canção, que agora é minha, “e de quem a apanhar”. Ao apoderar-me dos vossos universos e torná-los meus, mais não fiz do que praticar um exercício de cumplicidade criadora, misturando e moldando matérias tão diferentes, até torná-las unas e indivisíveis. A canção “Artesanato” parece falar disso: “Escultura, pés de barro perenes, por vocação tão espessos, tão ténues”. Tratei cada caso com amor e dedicação, como um objecto único – tratámos, porque o Rafa, ao leme da produção musical, foi indispensável em toda esta viagem, para lá da música que me deu para a nossa canção conjunta. E também o Filipe Melo, e o Hélder na canção que dá título ao álbum. No fundo, tudo isto se confunde numa só extensa canção, com andamentos, harmonias, sentidos e sentimentos muito diversos, que se espraiam por dez faixas, misteriosamente recompostas de modo a tornar os “pés de barro perenes”. Isso deve-se também a vocês, parceiros desta aventura. Não esqueço. Obrigado.”
“Nação Valente” entrou diretamente para o 1.º lugar da tabela de vendas nacional na sua primeira semana de edição. Pode ser encontrado aqui.
Entretanto, a anteceder a apresentação em palco do novo disco em Lisboa e Porto, anunciada para o Capitólio e a Casa da Música para os dias 23 e 24 de Fevereiro e 3 e 4 de Março, respectivamente, Sérgio Godinho realizou no passado dia 2 um concerto à porta dos Armazéns do Chiado que contou com uma larga participação da população local que, surpreendentemente, acompanhou em coro Sérgio em muitos dos novos temas, como “Grão da mesma mó” ou “Tipo Contrafacção”.
Para a cidade do Porto e em parceria com a FNAC, a apresentação de “Nação Valente” será efectuada de forma diferente, dando protagonismo à palavra – no próximo dia 11, a partir das 17H00, na FNAC do Norteshopping, Sérgio Godinho juntar-se-á a Valter Hugo Mãe para uma conversa em torno do imaginário que levou à criação de “Nação Valente”. Um “cruzamento” entre o “escritor” e o “escritor de canções” a não perder.
Concertos de apresentação:
23 & 24 Fevereiro – Capitólio
3 & 4 de Março – Casa da Música

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Sérgio Godinho (ft. David Fonseca) - Balada da Rita


Letra

Disseram-me um dia, Rita põe-te em guarda
Aviso-te, a vida é dura, põe-te em guarda
Cerra os dois punhos e andou, põe-te em guarda
Eu disse adeus à desdita
E lancei mãos à aventura
E ainda aqui está quem falou

Galguei caminhos de ferro (põe-te em guarda)
Palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)
Dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)
E a solidão não erre
Se ao chamá-la o seu nome
Me vai que nem uma luva

Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
Vivi com homens safados (põe-te em guarda)
Morei com homens de briga (põe-te em guarda)
Uns acabaram de maca
E outros ainda mais deitados

O coveiro que o diga
O coveiro que o diga
Quantas vezes se apoiou na enxada
E o coração que o conte
Quantas vezes já bateu p´ra nada

E um dia de tanto andar (põe-te em guarda)
Eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)
Entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)
Mas quem tratou de me amar
Soube estancar o meu sangue
E soube erguer-me do chão

Veio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)
Passaram-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)
Encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)
Mas é sempre a mesma história
Depois do primeiro assombro
Logo o corpo fica farto

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Sérgio Godinho & Vitorino - Barnabé


Letra

Vieram profetas
vieram doutores
santos milagreiros, poetas, cantores
cada qual com um discurso diferente
p'ra curar a vida da gente
p'ra curar a vida da gente
e a gente parada fez orelhas moucas
que com falas dessas as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
toda a gente arribou
toda a gente arribou

Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Vieram peritos
em habilidades
dizer que a fortuna nasce nas cidades
e que só ganha quem concorrer
e quem vai ser, quem vai ser
quem vai ganhar, vai vencer?
e a gente parada fez orelhas moucas
que com falas dessas as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
toda a gente ganhou
toda a gente ganhou

Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Vieram comerciantes
vender sabonetes
danças regionais, televisões, rabanetes
em suaves prestações mensais
quem dá mais, quem dá mais?
quem dá mais, quem dá mais?
e a gente parada fez orelhas moucas
que com falas dessas as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
quem tinha ouvidos ouviu
quem tinha pernas dançou

Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

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sábado, 3 de fevereiro de 2018

Sérgio Godinho - Apresenta-se ao vivo à porta dos Armazéns do Chiado

Uma semana depois do lançamento do seu novo e muito aclamado disco, Sérgio Godinho apresenta-se ao vivo à porta dos Armazéns do Chiado. Amanhã, às 18h30, o “escritor de canções” interpretará, pela primeira vez, algumas das novas canções, as quais têm recebido rasgados elogios da crítica.
O concerto nos Armazéns do Chiado será assim uma antecipação da experiência reservada para os primeiros concertos desta tour, já marcados para dias 23 e 24 de fevereiro no Capitólio (Lisboa) e 3 e 4 de março na Casa da Música (Porto).
“Nação Valente” chegou às lojas na passada 6ª feira e é o 18º álbum de estúdio, quebrando o período de sete anos em que Sérgio Godinho não publicou discos de originais. “Nação Valente” tem produção de Nuno Rafael, um dos seus habituais “assessores”, e conta com a partilha na composição das canções com alguns dos nomes que Sérgio Godinho mais respeita da música nacional. Falamos de nomes como David Fonseca, Filipe Raposo, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins ou um velho companheiro, José Mário Branco. Márcia é outro dos nomes que aparece aqui, por ter o único tema no disco para o qual Sérgio Godinho faz uma versão. “Nação Valente” tem a ainda a colaboração do “multidisciplinar” Filipe Melo que soma à sua participação enquanto músico, os (memoráveis) arranjos para cordas e sopros.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

domingo, 28 de janeiro de 2018

sábado, 27 de janeiro de 2018

Sérgio Godinho - Mariana Pais, 21 Anos



letra

A letra está no vídeo

“Mariana Pais, 21 Anos” Letra: Sérgio Godinho Música: José Mário Branco

Sérgio Godinho - “Nação Valente” chega às lojas



“Nação Valente”, o novo disco de Sérgio Godinho, chega amanhã às lojas e a todas as plataformas digitais. Tratado como um acontecimento na música portuguesa, este é o primeiro álbum de originais do “escritor de canções” em sete anos. Dez crónicas do nosso dia a dia, uma coleção de canções, todas elas recebidas pelos media com pompa e circunstância, com o valor que lhes é totalmente merecido.
É este, o 18.º da sua carreira, que tem estado a ser revelado dia a dia, esta semana, na Antena 1 e no Observador, tendo sido já revelados os vídeos do tema que dá nome ao disco “Nação Valente”(letra Sérgio Godinho/música Hélder Gonçalves), de “Grão da Mesma Mó” (letra Sérgio Godinho/música David Fonseca), “Baralho de Cartas” (letra de Sérgio Godinho/música de Nuno Rafael) e  “Delicado” (a única versão do disco, de Márcia). Antes desta semana, já haviam sido revelados “Noite e Dia” (letra Sérgio Godinho/música de Filipe Raposo), “Artesanato” (letra de Sérgio Godinho/música de Hélder Gonçalves) e “Tipo Contrafacção” (letra de Sérgio godinho/música de Nuno Rafael).
As canções de “Nação Valente” poderão ser ouvidas ao vivo às portas dos Armazéns do Chiado, em Lisboa, no próximo dia 2 de fevereiro, num concerto gratuito que servirá de aperitivo aos espetáculos de apresentação do disco marcados para dias 23 e 24 de fevereiro no Capitólio (Lisboa) e 3 e 4 de março na Casa da Música (Porto).

A vida é feita de pequenos nadas - Sérgio Godinho


Letra

Letra

(Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)

Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas

Somos tantos a não ter quase nada
porque há uns poucos que têm quase tudo
mas nada vale protestar
o melhor ainda é ser mudo
isto diz de um gabinete
quem acha que o casse-tête
é a melhor das soluções
para resolver situações
delicadas
a vida é feita de pequenos nadas

E o que é certo
é que os que têm quase tudo
devem tudo aos que têm muito pouco
mas fechem bem esses ouvidos
que o melhor ainda é ser mouco
isto diz paternalmente
quem acha que é ponto assente
que isto nunca vai mudar
e que o melhor é começar a apanhar
umas chapadas
a vida é feita de pequenos nadas

(Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)

Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas

Ouvi dizer que quase tudo vale pouco
quem o diz não vale mesmo nada
porque não julguem que a gente
vai ficar aqui especada
à espera que a solução
seja servida em boião
com um rótulo: Veneno!
é para tomar desde pequeno
às colheradas
a vida é feita de pequenos nadas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas.

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