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terça-feira, 22 de maio de 2018

Margarida Pinto - Agulha do tempo


Letra


À muito tempo aqui parou
sem fé nem rastos julga-se aos passos
fiquei sem saber mais onde estou
sou testemunha do seu cansaço
os dias já não fogem nem os minutos correm sem parar
p´ra te encontrar é o tempo que nos consome e à alma tira a fome

Espero que tu saibas que gosto de te ver chegar
tudo o que há em ti combina sem sentido
és sem duvida o meu tema preferido
fazes a agulha no tempo andar p´ra trás

História eterna sonâmbula
areias por mim destemido
estou de maré vazia esta manhã
corpo de pedra em banho frio
tudo o que já conheces e mesmo assim esqueces
não há amor que leve a ferida
tempo que nos consome e ao corpo tira a fome

Espero que tu saibas que gosto de te ver chegar
tudo o que há em ti combina sem sentido
és sem duvida o meu tema preferido
fazes a agulha no tempo andar p’ra trás

gosto de te ver chegar
tudo o que há em ti combina sem sentido
és sem duvida o meu tema preferido
fazes a agulha no tempo andar p´ra trás

gosto de te ver chegar.

MARGARIDA PINTO - Apontamento


Letra

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada, descuidada.
Caiu, e eu fiz-me em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
E os deuses que há debruçam-se da escada.
Para ver o que a criada fez de mim
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
E os deuses que há debruçam-se da escada
E sorriem à criada
Não se zanguem com ela.
São tolerantes...

A minha alma partiu-se como um vaso vazio
Caíu, partiu-se, caíu
A minha alma partiu-se como um vaso vazio
Caíu, partiu-se, caíu

O que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?

Alastra a escadaria atapetada de estrelas.
Ao fundo um caco brilha entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
E os deuses olham-o por não saber por que ficou ali.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

O que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?
Ai, o que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?