Miguel Xavier apresenta o seu álbum de estreia no Teatro Villaret. Este disco que fascinou Camané é composto por 15 temas através dos quais o jovem de 23 anos se assume como fadista, com uma promissora carreira pela frente. Produzido por Miguel Amaral este primeiro disco, para além de algum repertório clássico, conta com novas composições de Mário Laginha, Luís Figueiredo, Filipe Teixeira, Miguel Amaral, Carlos Teixeira e André Teixeira e poesia de Alexandre O’Neill, Manuela de Freitas e Marco Oliveira.
É este o universo que sobe ao palco do Teatro Villaret a 26 de Novembro. Miguel Xavier, Miguel Amaral na Guitarra Portuguesa, André Teixeira na Viola de Fado, Filipe Teixeira no Contrabaixo, e o Fado a cada minuto.
Assim será. Simples. Íntimo. Próximo de cada um pelo caminho das emoções. Miguel Xavier e o seu fado.
Miguel Xavier apresenta o seu álbum homónimo no dia 26 de Novembro às 21h30 no Teatro Villaret. A acompanhá-lo estarão Miguel Amaral na guitarra portuguesa, André Teixeira na viola de fado e Filipe Teixeira no contrabaixo.
O Fado. Tão quotidianamente urbano. Simples. Popular. Mas misteriosamente encantatório. Assim o trazemos. Fiel ao seu nascimento. Mesmo quando alguma erudição teima em se intrometer na escrita. Das palavras ou das notas.
Ele que vai nascendo, aqui e ali, sem se saber porquê. Na voz daqueles que, como uma característica genética, libertam as palavras mágicas do feitiço que se instala quando a luz fica mais ténue e o canto se entranha na pele de cada um que o ouve.
Miguel Xavier não nasceu em Lisboa. Nunca ninguém o ensinou a cantar. Simplesmente canta como se, para alem do Fado, mais nenhuma música existisse. Como se todas as músicas fossem só esta. É. Será sempre, cante o que cantar. Foi sempre. Fadista. Desde a primeira vez que cantou. Talvez desde que nasceu.
Hoje trazemos o repertório do seu primeiro disco que aqui se estreia. Trazemos o movimento e os sons da urbe. Trazemos o sonho. A noite. O amanhecer. O sofrimento. A cura.
Trazemos o Fado. Que não se explica. E nos leva ao mundo dos sentidos. Respira-se como quem vive. Ouve-se como quem sente.
Dizem-me que, de muito pequenino, se esticava na cama ao lado da avó, um transístor sintonizado para uma rádio fado, pousado entre os dois. O Miguel Xavier aprendia, literalmente, todos os fados.
Quando o Miguel Amaral me levou a ouvi-lo, ele teria 19 anos. Fiquei tão siderado como quando ouvi o Camané então mais ou menos da mesma idade. Haverá quem “nasça para o fado” ou quem por lá viva, apanhando-lhe jeitos e tiques, mas o que reacende a identificação de uma voz que só pode e só deve ser do Fado é aquela flexibilidade melódica e aquele pouco de ar que mal se sente no som, mas que marca a diferença entre os melismas do Fado, seus estilos e variações, e os do Cante Flamenco, por exemplo. Muito boas vozes não conseguem nunca produzir a diferença que este som tem.
Miguel Xavier canta quase hirto, hierático, concentrado, sem gestos nem jeitos nem sinais de legitimação marialva, bairrista ou fadisteira. É apenas um músico integral. Nem fusões, nem infusões, nem vícios. Canta maravilhosamente e está só, por dentro daquilo que canta. Basta comparar o trecho de Alexandre O’Neill / Filipe Teixeira (produzido na melhor tradição daquele fado que Amália literou e revolucionou) com o clássico “Velhinho Fado Menor” (com versos da discreta Maria Manuel Cid) para confirmar o seu profundo conhecimento e autenticidade. São coisas que fazem do Fado a sina de alguns. São esses os poucos que cantem o que cantem, cantam sempre de algum modo Fado, ou que quando cantam Fado o exponenciam e elevam.
À volta de Miguel Xavier está uma espécie de “família” mais ou menos local que, sob a liderança de Miguel Amaral, se desdobra em escritores de fados de primeira água: Mário Laginha, Luís Figueiredo, Filipe Teixeira, André Teixeira e Marco Oliveira por exemplo. É isso que ajuda a fazer do disco de MX um dos mais belos discos de Fado dos últimos tempos.
A criança, nas suas sestas com a avó, nunca sonhou ter uma missão. Cresceu apenas para aquele lugar suave e ético que é a Arte.