sábado, 16 de dezembro de 2017

Deau - Avisa


Letra

Eu vim dos bastidores, Dessas peças de teatro, Onde desejam muita merda, Antes de subirmos ao palco. Avisa o contra-regra Que estou apto Para pô-los a gritar ‘bravo’, No final do espetáculo. Deram as pancadas de Molière, Quem ladrou que agora ferre. Pisa-me eu enterro-te, Avisa o intérprete, Eu vim para ser reto, Não foi para ser rato, Não vim ver se acerto, Eu vim vencer certo do que trago. Oposta à proposta apóstata, A aposta é posta na mesa; A hoste que tome a hóstia, Já sabe qual é a sequência. A saga é a de quem Melhora a Maizena que dispensa, Farto de aplicar o Kaizen, No que armazena na dispensa. A dor garrota a cor garrida; Tu toma nota, Mas adorna a investida, Só isso importa. Quem tinha fé em mim, Ficou agnóstico Mas, no escuro, A lua cresce com a minha inicial Por algum propósito. Eu sei: Só acreditam em deus quando o virem; Podia dizer-vos ‘olá’, Só que custa os olhos da cara admitirem. Agradeço todo o respeito De forma sincera, Mas não esqueço Que quem viu a larva que a borboleta era Acha-a ainda mais bela. Eu vim dos bastidores, Dessas peças de teatro, Onde desejam muita merda, Antes de subirmos ao palco. Avisa o contra-regra Que estou apto, Para pô-los a gritar ‘bravo’, No final do espetáculo. Esta é a panaceia Para a odisseia, Que quebra e que abre a cadeia, À ceita que ceifa a ceiva, Ao filho de Medeia. Meu peito é rocha Tarpeia, Para quem trampeia o meu sonho; Se o meu rosto pompeia, É porque penei até cerrar o choro. Acaba o ouro, E querem voltar alto como Astreia, Mas já não bate o coro. Isso, para mim, Não é estreia. Não estás para roer osso, Eu não te quero à beira, Quando fizer o alvoroço, A vomitar lagosta e sapateira. A nossa visão visa Uma via mais profilática, Mamar nas tetas de Hera, Até criar uma galáxia; Abolir do âmago, O trama do tânato contrito, Esgana-te o pânico, Atenta no cântico, Que eu transmito. Interdito a falta de ânimo, No meu trâmite, E faço o que for preciso Para subir ao vértice da pirâmide. A vida passa rápido; Não me impressiono. E deixar de espólio Algo que inspire o grémio, É o prémio que ambiciono. Eu vim dos bastidores, Dessas peças de teatro, Onde desejam muita merda, Antes de subirmos ao palco. Avisa o contra-regra, Que estou apto, Para pô-los a gritar ‘bravo’, No final do espetáculo. Provei desse doce mel, E disse mal no fim, Mas o valor do meu troféu São as cicatrizes que trago em mim. Escuta o que te revelo, Este é o teu deus em pele, A matar essa ilusão, Como se ela fosse Sémele, E esse anelo com que anulo, O que é turvo na trova, Urde a prova, Do que não nos tomba, Reforça. Esse é o bónus de aguentar o ónus da fossa, Esses Keszelers Não vão ficar com uma merda que é nossa. “A César o que é de César”! Prepara a tropa, Estamos seguindo o Bordalo, A fazer o lixo virar obra. Que se foda A sobra da poda! Eu não dou nós na gravata, Para tirar a garganta da corda. Fizemos história, Gritando ‘Bambora’, E a arranjar uma saída, Para os que nem tinham, Para a entrada da porta. Eu sei o que vos incomoda: Olharem para nós agora E não verem nenhuma diferença, Do que já éramos outrora. Eu vim dos bastidores, Dessas peças de teatro, Onde desejam muita merda, Antes de subirmos ao palco. Avisa o contra-regra, Que estou apto, Para pô-los a gritar ‘bravo’, No final do espetáculo.

Letra e Voz: Deau

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