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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

sábado, 21 de julho de 2018

Estraca - Perspectiva


Letra

Lançam uma track, beat, boombap na back, respect
Repete, 'tou fat, meu set na net embalado em pack
Nova gera do rap, moleque compete para cheque no leque
Volta Chullage e traz o Valete!

Elite, não click, não feat, não kit na street
A transmitir aquilo que mais ninguém transmite
Palpite sentido, convite para eu ir, 'tas VIP
Rap é mais do que um bom refrão juntamente com um bom beat

Eu não herdei, lutei, tentei, ganhei
Pensei, sonhei e houve alturas que hesitei
Vacilei mas não parei, apreciei, estudei a lei
Sintonizei, meti no play o rádio velho que eu comprei

Eu estou ciente, conscientemente, loucura aparente
Espalhando a língua lusa de Itália ao Médio Oriente
Independente, diferente ou crente, com fé na vertente
Faço aquilo que ninguém fez com aquele rap que ninguém sente

[Refrão x2]
Bati no fundo, sim, calma um segundo
Ontem rimava no quarto, hoje nos palcos do mundo
E facundo, vagabundo, sim, calma um segundo
Respeito, amor e rap, coisas que nunca confundo


Vem com promessa, boa peça, não interessa, tanta pressa
Ainda tropeça, não stressa, boy, regressa
Fala, confessa, eu sou mais cabra do que a Vanessa
Tenho o meu produto à venda mas não vendo com conversa

Não sou tendência, nem sequer tenho aparência
Mas vivência, consciência, dando voz à minha essência
Excelência, experiência, dando voz à miha ausência
Sem ciência, paciência, transparência , persistência

Não sei, estás a sentir. Notei, estás a mentir
Tentei para conseguir. Ganhei a construir
A progredir e a cuspir, a evoluir sem competir
O que é meu ninguém me tira e o melhor estará para vir

Data agendada, mais uma elite ou na estrada
Sem agente, minha voz por mim mesmo agenciada
Sem fachada, a sério "broda", sem cunhas na caminhada
O teu pouco para mim é muito porque ontem não tinha nada

-REFRÃO-
Só rimas pouco originais, todos com cara de mau e com vidas ilegais
No rap a competir para ver quem vende mais
Iludindo a pitalhada para tocar em festivais

X2

Ainda sinto os arrepios, assobios e desafios
Pensamentos doentios, sombrios, levam desvios
Caguei nos elogios tardios, caguei nas views
Sem guita, sem nome, concertos vazios

Não compliques, não exites, não duvides
Fala amor ou bandidagem, ou se não faz uns bons feats
Deixa-te de palpites, não me irrites, tem limites
Trabalhar juntando guita, comprar beats, fazer clips

Vais duetar, a fazer o que eu não queria fazer
Preferia fazer rap, trabalhar sem receber
Enriquecer basta ceder, basta querer e concorrer
É rimar aquilo que bate para o teu som poder vender

Tu querias e merecias, sentias o que fazias
Mas rap com conteúdo só abrange as minorias
Ontem eram terapias, rimas e melodias
Hoje é música vazia feita para mentes vazias

-REFRÃO-
Só rimas pouco originais, todos com cara de mau e com vidas ilegais
No rap a competir para ver quem vende mais
Iludindo a pitalhada para tocar em festivais

Estraca - Trajectória


Letra

Vou-te contar a minha história notória na trajetória O porquê de eu estar aqui nos caminhos desta vitória Aleatória, safoda se é provisória Porque eu sempre usei as rimas em forma de escapatória, sim Aprendi a fugir à vida com o poder e a magia das rimas numa batida Sem saber se era sentida, por vezes nem era lida Desde puto tenho a imagem de uma mulher reprimida, Mãe Passado foi duro, nós sabemos bem que sem Toda essa beleza que a vida contém Ninguém olhava ao fracasso que eu era refém E a nossa nova esperança a cada novo mês que vem Resultado passado fechado no bairro negado Diziam que iria ser mais um bandido ou drogado Eu fui apanhado a roubar num esquema mal encenado Chamada do hospital "o seu filho foi esfaqueado" x2 Sorry mama, tu não merecias eu sei Missão de filho foi-me dada e eu assumo, falhei Mas acredita, vou buscar aquilo que eu ontem deixei Posso morrer, não conseguir, mas acredita, tentei Eu tentei, mas nada fiz para a nossa vida mudar Despensa cheia, sim comida vem do Banco Alimentar Eu vivo com essa dor, a fraqueza no teu olhar Limpeza 400 euros, 15 horas a trabalhar Mama, ontem na lama miséria na vida o drama Tudo me sobe à cabeça quando me deito na cama Por grana guardava a grama Por guita, a rua me chama E eu puto, ligado ao tráfico Quase que vi a cana, sim Naquela fria madrugada A bófia abriu-me a janela, pois já sabia a jogada Estava estudada, pensada O andar, a hora e morada marcada Mas naquele dia já não lá tava nada Fezada? Foi sorte a minha sim Mas algo se avizinha Pois a guita sabe bem mas tou a pisar a linha Eu com 15, mais um puto que a rua desencaminha 16, comprava os ténis mais caros que a loja tinha Dias iguais incombatíveis com os meus ideais Onde é que vais, pois o rap já não dá para mais Trabalhos na padaria, vender bifanas no Cais Passa um ano e aqui estou, nas promessas nacionais "Deixa o rap" já dizia a professora de Inglês E hoje faço em minutos o que ela ganha num mês Não há duas sem três, tu vês o que a vida fez Hoje a dica é fazer história no hip-hop português

sexta-feira, 20 de julho de 2018